quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sonho junto



            E foi perdida nos versos da antologia poética de Carlos Drummond de Andrade que derramei minhas lágrimas com a notícia que tive, o primeiro retorno e a primeira oportunidade. Não consegui me conter, não foi somente um convite especial, mas foi também a primeira porta que se abriu para começar a fazer o que eu mais amo: escrever.
            O desafio foi grande, o suficiente para me deixar com medo e insegura, mas não pude me abalar por isso, e assim foi feito. Dessa vez soltei algumas lágrimas, por não conseguir produzir, fui dormir alguns dias no meio da madrugada, e mesmo assim nada saía. A responsabilidade era tão grande quanto o desafio, ideias me foram entregues e eu precisava organiza-las, eu precisava me entregar por inteira à um trabalho que seria muito especial, e dedicado a duas pessoas pelas quais me identifico e admiro.
            Frase a frase, adaptação a adaptação, foi tudo suado mas muito bom de dissertar sobre palavras e imagens que de uma certa forma se encaixam perfeitamente no que tento ser. E, não é a morada que desejo ser.
            Tratei de assuntos delicados, fui tão sutil quanto seus mitos. Fui tão sincera quanto o meu sentimento perante todo aquele universo que foi exposto para mim. É diferente escrever para os outros, e não exatamente para você, porém é um exercício precioso de se fazer.
            Satisfatório. Enviado.
            Um suspiro final enche meu corpo de uma paz e de um alívio esperado e feliz. O seu sim foi o maior sorriso colocado em meu rosto há meses. Fazer o que ama, e fazer com que as pessoas amem os seus mimos e amores, não tem preço. Não há maior felicidade e cumplicidade em sorrisos que nascem da sua própria satisfação.
            Essa história logo será publicada, e começa agora mais um sonho.
            Sonho de ser quem eu quiser, através de palavras. Sonho que se sonha junto vira realidade.

À SB.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Amores de estação



E não me engana mais, nem meus próprios pensamentos e sentimentos.
Decidi.
Não há nada mais bonito que os raios iluminados e dourados do sol nos teus cabelos compridos e caídos sobre os ombros que sonho em um dia me acolher. Sua barba rala e por fazer, com inúmeras falhas guardam desejos secretos de um beijo longo e carinhoso. Seu perfume ainda deixa uma amostra dentro de mim, de um modo que posso senti-lo cada vez que me lembro.
Não te conheço.
O contato que tivemos foi inteiramente visual e rápido, aqueles três segundos da nossa troca de olhares foram capazes de me abalar assim por dias.
A lembrança é a única coisa que me resta. Esses amores de estações sempre machucam muito, sempre nos frustram, ainda mais em uma cidade onde somos tão indiferentes uns com os outros. Onde se veem centenas de pessoas por dia, mas poucas são notadas.
Mas, no fundo sei que me notou como te notei. Olhava para mim no momento que olhei para ti. O mundo parou, e parecia que não precisaríamos de palavras para nos comunicar.
Era um medo de te perder a cada vez que soava o sinal de uma nova plataforma, sofremos juntos e separados durante as quatro estações que durou nossa prece.
E insistentemente o sinal toca de novo, e dessa vez tenho que partir, é a minha hora de sair desse trem.
A porta fecha e nos separa.
Nos olhamos novamente com um vidro entre nós, e é nesse momento que vejo o quão tola fui de não ter pedido seu número de contato em um papel de rascunho jogado na bolsa, pra hoje eu escrever uma história totalmente diferente.
Moço, não me esqueci do seu sorriso.

À todos os apaixonados de estação.
Spotted - Metrô - São Paulo

terça-feira, 28 de maio de 2013

Último resquício



            E nessa terça-feira quase vazia, o dia começa seco na terra da garoa, mas não tarda e do céu caem gotas frias que estremecem nossa pele ao senti-las.
            Era como qualquer outra terça-feira de qualquer semana do calendário, mas sem querer fui capaz de perceber o quão é fácil mudar nossa feição do dia, e como é fácil sorrir mais e mais e mais.  Sinto que no meu balaio há cada vez amor, e esse amor torna-se pequenos novelos que me aquecem, que me protegem, que me abraçam e me beijam.
            É incrível como cada vez eu me sinto mais completa, e dessa vez seus braços que me enlaçam numa história fabulosa e perigosa, peço que me abrace sem medo, que encoste sua mão na minha, e corra ao meu lado pelo menos até um de nós se cansar, e quando isso acontecer deixa o momento se desenrolar naturalmente.
            Agora, minutos depois de nosso beijo ainda posso sentir seu cheio em meu pescoço, seu toque na minha cintura, seus lábios nos meus lábios, e conforme essas pistas forem passando o último resquício será o sorriso estampado no rosto de alguém que sente amor, que sente carinho e quer você presente aqui todos os tempos.
            Descobri que o sorriso é só a parte externa da felicidade, e que não preciso estar apaixonada pra sentir isso – até porque não estou – mas, esse encantamento me deixa fascinada, e poder te ter por perto é incrível, sorrir mesmo que encabulada aos seus olhos é gostoso, assim como é passar o tempo contigo.
            E, como tenho dito e repetido diversas vezes, é muito simples ser feliz, é só questão de ser. A felicidade bestializa.
            Agora já é fim de tarde, e a terra da garoa já está ensopada, mas agora além do meu guarda-chuva e das minhas meias quentes tenho você pra me cobrir e me proteger quando o inverno apertar e me machucar.
            Prometo, te protejo e me protege com a simplicidade de um sorriso e brandura de um recente amor.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Ama a vida e segue!

Ando tão feliz que nem sei,
Ando tão contente que espalho isso,
Ando sorrindo aos quatro cantos,
e rindo a beça...

Ando por ai doando amor,
de tanto que me transborda...
ahh como é bom compartilhar alegrias!

Agora ando com calma, por que a pressa me sufoca. O céu me faz rir com suas risadas, partilhamos bons momentos de contemplação e paz. A solidão já não me faz mal, e pelo contrário, essa sensação de poder estar só, me completa com instantes de auto-conhecimento. 
Encontrei a felicidade em vírgulas e pontos finais, encontrei a felicidade nos trens e na caminhada. Abraçei uma felicidade que não há questionamentos, há mudança, e há muito amor, aprendi que felicidade é só questão de ser, e não de ter, é estar completo no self, mas não é ego. 
A felicidade é simples, nós que tornamos essa simplicidade díficil.
O essencial é o puro, é a materia-prima do saber viver, e viver bem. 
Desbravar a si mesmo em infinitas possibilidades, mudar quando necessário e querer e almejar sempre coisas novas e desafiadoras, conhecer os outros em você e você nos outros, te achar única e no final do percurso se identificar satisfatóriamente com alguém que vai ser teu par na caminhada, se lembrar de celebrar muito mais, e que navegar é preciso, viver não é preciso. Se sentir completo em sua morada, e emanar mais luz ao resto do mundo, ser grato à vida simplesmente por viver.
Ama a vida e segue!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

No dia de hoje

Se julga a todos, se afaste
Se não quer, não se aproxime
Se tem conceitos antecipados, se feche longe de tudo
Se não gosta disso ou daquilo, não faça
Se não gosta que falem, se cale também
Se acha perigoso, não fique
Se não quer para ti, se guarde
Se quer AMOR, AME
Só mais um conselho:
Esta noite feche os olhos e me esqueça,
pois não serei um bom exemplo!
Viva la vida!

À W. Foster